Crax é um gênero de aves galliformes da família Cracidae, vulgarmente conhecidas como mutuns. Eles são encontrados na América Central e América do Sul. São aves grandes que medem de 75 a 90 cm de comprimento e pesam entre 2,3 e 4,8 kg. A plumagem dos machos é preta, com bicos vistosos. As fêmeas normalmente têm penas com tons e desenhos castanhos ou avermelhadas. São de hábitos diurnos e terrestres.
O mutum-de-bico-vermelho mede 84 centímetros de comprimento e pesa 3,5 kilogramas. O macho é negro com o ventre branco, menos a ponta da cauda. A base do bico é vermelha, podendo ocorrer vestígios de uma “carúncula” no maxilar na época da reprodução; nessa fase, o macho também apresenta um sutil par de lobos na base da mandíbula, podendo às vezes, apresentar pequenas carúnculas vermelhas abaixo dos olhos. Suas pernas são enegrecidas. Já a fêmea possui os calções e as asas vermiculados de ferrugíneo e o topete vistoso, densamente barrado de branco. O ventre é ferrugíneo e o bico, cinzento com a base negra. Suas pernas são avermelhadas.
Espécie endêmica do bioma Mata Atlântica, habita matas primárias em regiões quentes e úmidas. Pode viver solitariamente, aos pares ou mesmo em grupos de até quatro indivíduos. Quando excitado, arrepia o topete e, se ameaçado alcança logo a proteção das árvores, empoleirando-se nos galhos. Estão em extinção devido à caça e principalmente à destruição de seu habitat. Atualmente, são consideradas globalmente em Perigo pelo Bird Life e IUNC. Pesquisas indicam que existem menos de 250 indivíduos em vida livre e cerca de 880 em cativeiro.
É restrito a pequenas áreas do sul da Bahia até o norte do Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O mutum-de-fava mede entre 82 e 89 centímetros. e pesa cerca de 2,5 kilogramas. Esta é a única espécie onde o macho tem um ornamento vermelho esférico acima e abaixo do bico. A fêmea tem uma cera vermelha e o ventre ferrugem. O macho é preto com ventre branco.
Esta espécie é fortemente ligada à floresta de várzea (sazonalmente inundada) na bacia amazônica. Ela é quase inteiramente arbórea.
Ocorre da Colômbia e norte do Brasil até a Bolívia.
O mutum-de-penacho mede cerca de 83 centímetros de comprimento e pesa 2,7 kilogramas. O macho é preto com a região da barriga branca e a fêmea tem a plumagem preta listrada de branco, cabeça e pescoço preto, peito canela e barriga bege.
Habita o chão de florestas de galeria e bordas de florestas densas. Vive aos pares ou em pequenos grupos familiares. Embora passe a maior parte do tempo no chão, empoleira-se para dormir. Procura sempre o mesmo poleiro para dormir, mas em noites enluaradas fica muito inquieto, abandonando o ponto tradicional e procurando outro local próximo. Trai seu nervosismo por movimentos de abrir e fechar da cauda. Outros tiques nervosos são os movimentos súbitos de sacudir a cabeça lateralmente e eriçar o penacho.
Presente ao sul do Rio Amazonas, na região compreendida entre o Rio Tapajós e o Maranhão, do Brasil central até o oeste de São Paulo, Paraná e Minas Gerais. Encontrado também na Bolívia, Paraguai e Argentina. As populações da Amazônia, pertencentes à subespécie Crax fasciolata pinima, encontram-se ameaçadas de extinção, sobretudo em conseqüência da caça.
O mutum-poranga mede entre 85 e 95 centímetros de comprimento e pesa entre 3,2 e 3,6 kilogramas. A fêmea difere do macho somente por ter o topete discretamente margeado de branco, sendo este completamente preto no macho. Sua voz é das mais baixas da fauna brasileira. Parece com o som que se produz quando se assopra dentro de uma garrafa.
Habita o interior e as bordas de florestas densas, florestas de galeria e capoeiras altas. Vive solitário ou aos pares, caminhando no chão. Empoleira-se em árvores para dormir, permanecendo à altura do estrato inferior ou médio da vegetação. Na mata é muito difícil ouvir o seu canto, emitido principalmente durante a época do acasalamento e à noite. Voa entre os galhos mais altos das árvores.
Presente no Brasil apenas ao norte do Rio Amazonas, do Amapá ao Rio Negro. Encontrado também na Colômbia, Venezuela e Guianas.